
Ficha técnica de restaurante: o que é e como montar
A ficha técnica é o documento que diz o que vai em cada prato, em que quantidade e quanto custa. Veja o que ela leva, como calcular o custo com o fator de correção, um exemplo com números e os erros mais comuns.
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A ficha técnica é o documento que descreve um prato do seu cardápio: quais ingredientes entram, quanto de cada um vai em uma porção, quanto custa essa quantidade e qual é o custo total do prato. Ela é a base para quase toda decisão de custo na cozinha, porque sem ela você não sabe se um prato dá lucro, nem se a porção servida hoje é a mesma de ontem.
O que a ficha técnica leva
Uma ficha completa tem seis partes:
Ingredientes: todos, inclusive óleo, tempero, manteiga e embalagem.
Quantidade por porção: em peso líquido, ou seja, já limpo, sem casca, sem talo e sem osso.
Custo de cada ingrediente: o preço de compra convertido para a quantidade usada.
Custo total do prato: a soma dos custos dos ingredientes.
Rendimento: quantas porções a receita produz.
Modo de preparo e foto: para que qualquer pessoa da equipe consiga repetir o prato igual.
Para que serve a ficha técnica
A ficha tem cinco usos práticos no dia a dia:
Padronizar a porção. Todo cozinheiro serve o mesmo peso, e o cliente recebe sempre o mesmo prato.
Calcular o CMV de cada prato. Com o custo por prato, você vê quais puxam a margem para baixo. O cálculo do CMV parte desses valores.
Formar o preço de venda. Sem o custo do prato, o preço vira chute. Veja como calcular o preço de venda do prato.
Fazer a lista de compras. Multiplicando a ficha pela quantidade vendida, você sabe quanto comprar de cada item.
Treinar quem chega. Um novo cozinheiro aprende o prato lendo a ficha, sem depender de quem já sabe de cabeça.
Fator de correção: o peso bruto não é o peso líquido
Quase nenhum ingrediente chega pronto para o prato. Cebola tem casca, frango tem osso e pele, alface tem folha descartável. O fator de correção (FC) mostra quanto se perde na limpeza:
FC = peso bruto ÷ peso líquido
Se você compra 1 kg de cebola e, depois de descascar e aparar, sobram 850 g limpos, o FC é 1 000 ÷ 850, que dá cerca de 1,18. Isso significa que, para ter 1 kg de cebola limpa, você precisa comprar cerca de 1,18 kg.
O ponto importante: o custo real usa o peso bruto. Se a cebola custa R$ 5,00 o quilo comprado, o quilo limpo sai mais caro, porque você está pagando também pela parte que foi para o lixo. Na conta, o custo do quilo limpo é o preço do quilo comprado multiplicado pelo fator de correção. Ignorar o fator de correção faz o prato parecer mais barato do que é.
Um exemplo com números
Este exemplo mostra a conta com valores inventados, só para ilustrar:
| Ingrediente | Quantidade (líquido) | Custo |
|---|---|---|
| Frango | 200 g | R$ 4,40 |
| Arroz | 150 g | R$ 0,90 |
| Legumes | 100 g | R$ 1,30 |
| Molho | 1 porção | R$ 0,60 |
| Custo do prato | R$ 7,20 |
Com esse custo de R$ 7,20, o prato precisa de um preço de venda que deixe espaço para a margem desejada. Se a ficha dissesse 250 g de frango em vez de 200 g, o custo subiria e a conta mudaria, por isso a porção precisa estar escrita e ser seguida. Com a mesma conta, o frango de 200 g custa R$ 4,40 e, se a porção fosse maior, o custo subiria junto.
Como montar a sua, passo a passo
Liste todos os ingredientes do prato, incluindo tempero, óleo e embalagem.
Pese cada um depois de limpo e anote o peso líquido da porção.
Pese o bruto de cada item para calcular o fator de correção.
Pegue o preço de compra mais recente de cada ingrediente e calcule o custo da quantidade usada.
Some tudo, divida pelo rendimento se a receita render mais de uma porção, e anote o custo por prato.
Tire a foto do prato pronto, escreva o modo de preparo e deixe a ficha afixada ou no celular da cozinha.
Erros comuns
Usar peso bruto como líquido. A porção fica menor do que a ficha diz e o custo sai errado.
Esquecer óleo, tempero e embalagem. Parecem pouco, mas somados mudam o custo do prato.
Ficha que ninguém segue. Se a cozinha prepara de outro jeito, a ficha vira papel bonito sem uso.
Não atualizar quando o preço muda. Ficha com preço antigo mostra um prato mais lucrativo do que ele é.
Atualize a ficha sempre que o preço de um ingrediente mudar, e revise tudo pelo menos quando o fornecedor reajustar. Se a porção ou o fornecedor mudarem, a ficha também muda, e a nova versão deve ser colocada na cozinha no mesmo dia. Para entender por que o CMV sobe mesmo com a ficha em dia, veja como reduzir o desperdício na cozinha.
Perguntas frequentes
Preciso de ficha técnica para pratos simples, como porção de fritas?
Sim, principalmente para eles. Um prato simples costuma ter custo baixo e margem fácil de errar quando a porção varia, e a ficha evita isso.
Como saber se a ficha está certa?
Compare o custo calculado com o consumo real do mês. Se o CMV do prato não bate com a conta da ficha, confira a porção servida e o fator de correção dos ingredientes. Na prática, pese algumas porções servidas e compare com o peso da ficha.
Vale a pena fazer ficha de bebida?
Vale, principalmente para drinques e preparos com mais de um ingrediente. Para bebida de garrafa, o custo costuma ser direto e a conta fica simples.
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Fichas e fotos na mesma tela
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Fontes
Os valores deste artigo são exemplos para mostrar a conta; use os números do seu restaurante.
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